segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sobrevivente da II Guerra Mundial conta como a música lhe ajudou a superar as perdas e recomeçar uma nova vida no Brasil.

Por Marcos Santos
Foto: Marcos Santos

Sarah Lewin nasceu na Polônia em 1926, mas, viveu no país até o terceiro ano de vida. Passou a infância e adolescência na Bélgica. Aos seis anos ela conhece uma vizinha que tinha um piano no qual a filha estudava e, a partir daí a menina Sarah começa a se interessar pela música, porém, a família sem condições financeiras não tinha como investir na criança. Entretanto, sua vizinha percebendo o dom da pequena, a matriculou para ter  aulas de piano  juntas, ela e a filha. Sua família aceitou a ajuda daquela vizinha que pagava as aulas para a menina.  Aos onze anos, já conhecendo bem de música entrou para o conservatório musical no qual tinha aulas de terças e quintas com a professora Madame Du Pont. Aos domingos se reunia com os alunos no anfiteatro da cidade de Liége para acompanhar os concertos cujos repertórios eram escolhidos dos clássicos de Baah, Beethoven, Frédéric Chopin entre outros. Porém, o sonho de ser concertista foi interrompido pela guerra em meados da década de 1940. A partir daquela data a vida da adolescente Sarah se resumiu em fugas para tentar sobreviver do terrível massacre que chocou o mundo. De família judia, aos  14 anos teve que imigrar forçadamente para Marseille na França com a família, parentes e vizinhos por causa da invasão dos soldados alemães. Apesar de o local ter sido construído pelos franceses para abrigar os judeus refugiados, o ambiente era hostil e, portanto, as condições de vida eram extremamente precárias: sem saneamento básico, alimentação e infra-estrutura totalmente inadequadas e desumanas.  
Foto reprodução: Google
A Segunda Guerra iniciou-se, em setembro de 1939 e foi até 1945. O país escolhido para a invasão foi à Polônia pela Alemanha nazista comandada por Adolf Hitler e, de acordo com registros, esse trágico e desumano acontecimento deixou mais de seis milhões de judeus mortos, dos quais, amigos e parentes de Sarah Lewin-88 anos, levados para os campos de concentração fazem parte dessa terrível estatística do terror. O Holocausto, como ficou conhecido este horrendo evento, até hoje serve de inspiração para grandes produções hollywoodianas e literatura como: A menina que roubava livros, O pianista, O menino do pijama listrado, Hitler, Um sinal de esperança, O grande ditador, entre outros. Dona Sarah conta nesta entrevista realizada pelo jornalista Marcos Santos como conseguiu superar os terríveis momentos de dor ao ver suas amigas de infância desaparecerem da noite pro dia sem nenhuma explicação. Conta também do sumiço do pai que fora levado para campos de concentração com a promessa de que iria trabalhar na França para o exército de Hitler, porém, após anos desaparecido, sua mãe recebe atestado de óbito dando conta de que ele havia morrido num numa câmara de gás. Confira essa emocionanate entrevista.




Foto: Marcos Santos
Dona Sarah Lewin exibe livro preferido de Literatura Francesa.

Jornalismo.com-  Quando e como começou a guerra para vocês?

Sarah Lewin- Eu já era adolescente e na madrugada do dia 10 de maio de 1940 ,  acordei assustada  e vi  as  luzes da casa  todas acesas  e não entendi  nada. Porém, pensei que já estava na hora de levantar para ir à escola.  Minha mãe foi até o meu quarto,  desesperada e disse: levanta rápido!  Nós vamos sair de casa porque o exército de Hitler está vindo invadir a BélgicaJá arrumei as malas.  Não imaginávamos que a guerra pudesse chegar naquela cidade. Ouvimos rumores da guerra, porém estávamos despreocupados achando que não ia chegar até a cidade onde estávamos.

Jornalismo.com - Como foi que vocês conseguiram fugir dos soldados?

Sarah Lewin – Cada um pegou uma mala, fechamos a casa. Eu, minha mãe e meu  pai fugimos pelo mato até chegar à estação do trem.  A estação já estava lotada de judeus e não judeus e, no meio do tumulto conseguimos embarcar num vagão de cargas. Fomos levados para um campo de refugiados em Marseille na França já na fronteira com a  Espanha. Lá ficamos nove meses em campos de refugiados vivendo da pior  maneira possível. Fiquei muito doente e pra não morrer, meu pai ficou sabendo que a vida voltara ao normal na Bélgica e então, resolveu voltar.

Jornalismo.com :  Com as fronteiras totalmente cercadas pelo exército de Hitler, como  vocês conseguiram voltar?

Sarah Lewin: Meu pai pagou uma pessoa para nos atravessar escondidos pelo mato, porque os soldados cercaram todas as fronteiras, porém, os alemães já sabiam desse atalho e nos pegaram. Passamos a noite presos no quartel e pela manhã, fomos obrigados a voltar para o campo de refugiados em Marseille, entretanto, nos deixaram na fronteira próximos do campo. Meu pai ainda tinha algum dinheiro e novamente, pagou outra pessoa para nos atravessar. Finalmente, conseguimos fugir e chegamos em casa as 23h.

Jornalismo.com: A casa estava revirada ou destruída quando chegaram?

Sarah Lewin: Estava tudo do mesmo jeito que havíamos deixado. Os vizinhos cuidaram das nossas coisas. Então a nossa vida parecia ter voltado ao normal, meu pai voltou a trabalhar na mesma metalúrgica de antes.  Tudo parecia estar tranqüilo, porém, um belo dia, os alemães foram na minha casa e entregaram uma carta ao meu pai dizendo que todo chefe de família judeu que aceitasse trabalhar na França para os alemães por três meses, além de receber salário, eles deixariam as famílias em paz.  Meu pai acreditou e aceitou a proposta.  Mas, três meses se passaram e nunca mais tivemos notícia dele.  Depois de algum tempo descobrimos que fomos enganados. Meu pai foi levado para a Alemanha e morto em um campo de concentração.

Jornalismo.com: Como ficou a vida de vocês depois desse triste acontecimento?

Sarah Lewin: Nossa vida ficou muito difícil e complicada. Nós éramos obrigadas como todo judeu, a usar um broche em formato de estrela de Davi como identificação.  Quem não usava era morto pelos soldados.  Minha professora de piano com medo de acontecer alguma coisa comigo, achou melhor eu não ir mais à casa dela porque os soldados poderiam me prender a qualquer momento.  Ela sabia do perigo que eu estava correndo, até porque, tinha dois filhos que foram alistados no exército alemão e voltaram da guerra muito feridos.  Algum tempo depois enquanto estávamos dormindo, os soldados alemães chegaram á minha casa fortemente armados com metralhadoras e bateram na porta violentamente. Assustadas, nos arrumamos rápido e minha mãe abriu a porta e, já sabia que seríamos levadas. As malas já ficavam  prontas. Eles queriam levar também a filha da vizinha que sempre dormia em casa, porém, ela era italiana e então os soldados a deixaram ir.

Jornalismo.com: Para onde vocês foram levadas?

Sarah Lewin: Fomos levadas para um quartel próximo ao bairro onde morávamos. Passamos a noite em pé juntas com outras a famílias de judeus que já estavam lá com suas malinhas aguardando o seu destino cruel. Nós, e várias pessoas recebemos uma carta que, supostamente dava direito a trabalhar nas fábricas de munição. No outro dia foi feita a seleção dos que tinham a carta e dos que não tinham.  As pessoas que tinham a carta puderam voltar às suas casas, mas, quem não tinha foi levado direto para a câmara de gás.  Aquela carta na verdade não era um encaminhamento para trabalhar e sim uma farsa para para não chamar  a atenção dos que seriam mortos.  Depois daquele triste dia, nunca mais vi minhas amigas e seus familiares. Passadas duas semanas, eles voltaram para nos prender, mas conseguimos fugir antes. Ficamos perambulando pela cidade e, um militante da resistência belga contra os alemães se aproximou enquanto lanchávamos em um bar. Pensamos ser um soldado alemão, porém, ele se identificou  e nos abrigou em sua casa. Ali passamos a noite.  No dia seguinte ele nos levou à um esconderijo perto de onde morávamos nos fundos da casa de um casal de idosos.  Minha mãe aproveitou e foi até a minha residência pegar alguma coisa, mas chegando lá a casa estava toda revirada e vazia.  Até o meu piano que meu pai havia comprado com todo sacrifício, eles retiraram pela janela. Levaram tudo. Na edícula onde ficamos, além de nós, esse casal de idosos abrigou outros judeus. Lá, estávamos seguros e os soldados jamais desconfiariam que tivesse povo judeu ali.

Jornalismo.com: Por quanto tempo a senhora ficou escondida naquela edícula?

Sarah Lewin – Ficamos na casinha dos idosos até terminar a guerra, aproximadamente dois anos. Passamos por muitas necessidades e revoltada com aquela situação resolvi ser uma militante belga e me juntei a eles.  Depois, eu e minha mãe tivemos de enfrentar outra guerra: os traumas e fantasmas da guerra me deixaram com sérios problemas emocionais e psicológicos. Eu não conseguia dormir sossegada porque pensava nas minhas amigas, meu pai, e acordava no meio da noite gritando e muito assustada. Minha mãe mandava eu parar de gritar senão ia incomodar os vizinhos.

Jornalismo.com: Quando finalmente a jovem Sarah pôde sentir que a guerra havia acabado definitivamente,  fora e dentro dela?


Sarah Lewin: Muito difícil achar uma resposta, mas, possivelmente foi quando eu casei. Meu marido resolveu vir para o Brasil com medo de estourar outra guerra. Eu não quis sair da Bélgica porque não conhecia nada do Brasil. Só ouvia falar do Rio de Janeiro por causa da Carmem Miranda (risadas). Para mim só existia essa cidade. Não sabia que existia São Paulo, mas mesmo sem concordar muito, partimos. Eu já tinha meus dois filhos ainda pequenos e partimos para cá.

Jornalismo.com: Qual foi a reação da senhora quando chegou ao Brasil?

Sarah Lewin: Foi muito estranho, não sabíamos nada do idioma e muito menos aonde íamos morar. Chegamos ao Brasil em dezembro de 1956. Eu, meu marido e meus dois filhos: Daniel (4) e Gabriel de um ano e seis meses.  Minha mãe só  veio um ano depois.  Viemos de navio até o porto de Santos e depois trazidos de trem até o bairro do Bom Retiro no centro de São Paulo porque sabíamos que lá  havia muitos judeus. Passamos a noite em uma pensão cheia de pulgas. Daniel ficou doente e com o corpo todo ferido das mordidas das pulgas e gastamos o pouco do dinheiro que havíamos trazido, com o tratamento que durou seis meses.  Passamos por muitas dificuldades, doenças e até fome.  Pra ajudar o meu marido, eu comecei  vender roupas para um judeu  de porta em porta, mesmo sem saber falar português, infelizmente, levei muito calote.  Meu marido conseguiu emprego de vendedor de livros na Livraria Britânica e as coisas começaram há melhorar um pouco e até conseguimos alugar uma casa.

Jornalismo.com: Quando foi que o piano voltou a fazer parte da sua vida?

Sarah Lewin: Quando minha mãe veio morar conosco. Ela nos ajudou a comprar uma casa com o dinheiro que recebeu do governo da Bélgica pela morte do meu pai. Daí, parei de vender roupas e coloquei um anuncio no jornal para dar aulas de piano e ajudar o meu marido pagar a casa porque o dinheiro que minha mãe trouxe só deu para dar a entrada. Minha primeira aluna era francesa e me ensinou falar português em troca das aulas de piano. O piano era alugado e  logo os alunos foram chegando. Porém, um belo dia enquanto eu dava aula, recebi a visita de um fiscal da Ordem dos Músicos do Brasil. Minha vizinha havia me denunciado e tive de pagar multa por não ter a carteirinha.Eu nem sabia disso, mas regularizei a minha situação e me filiei à OMB e ao sindicato em 1966.  E continuei dando aula. Consegui comprar esse piano o qual já estou com ele há quase 50 anos.  As aulas começavam as 08h e iam até as 18h. Às vezes eu não parava nem para almoçar.  Quando tudo parecia estar indo tudo bem, meu marido ficou muito doente e teve de ser operado às pressas  de uma grave infecção na bexiga. Devido a doença, ele começou a faltar muito ao trabalho e  foi mandado embora da livraria Britânica. Daí,  a nossa vida e a situação financeira piorou e tivemos que vender a casa. Com o seu estado emocional super abalado e as  dificuldades financeiras, a doença do meu marido voltou e não teve mais jeito. Morreu.  

Jornalismo.com: Sem o seu marido e endividada, como a senhora conseguiu sair dessa?

Sarah Lewin: Nessa época o Daniel já era casado e o Gabriel não, mas trabalhava e me ajudou muito, além da minha mãe também, que recebia uma aposentadoria da Bélgica todo mês e me dava o dinheiro para pagar as contas.  Após seis anos da morte do meu marido recebi outro golpe do destino: minha mãe nos deixou vítima de uma anemia crônica que evolui, provocando uma severa pneumonia e ela não resistiu, já que naquela época a medicina não era tão avançada.  Foi o momento mais difícil da minha vida porque eu e minha mãe éramos muito apegadas.  Era ela que me dava forças. Ela me ajudou a superar muitas dificuldades. Ela era tudo pra mim. Eu fiquei sem chão e foi muito difícil superar a perda e, até hoje eu sinto muita falta dela.  Já se passaram trinta anos e confesso que, se não fosse o meu piano, talvez eu não estaria mais aqui.  A música se tornou a minha razão de viver.
Foto: Marcos Santos
Sarah Lewin e maestro Aluízio Pontes posam para foto.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cidade Tiradentes ganha mais um espaço comunitário que promete mudar a realidade social de muita gente.



Foto: Marcos Santos
Sérgio Reis Filho (ONG Bala de Goma) apresentando as propostas e mecanismos  de inclusão social para a população.


Sábado último foi inaugurado mais um espaço na Cidade Tiradentes extremo leste de São Paulo. 

Denominado  Espaço Estrelar a Associação Comunitária Estrelar em conjunto com a ONG Bala de Goma têm como objetivo  levar para àquela comunidade,  cursos profissionalizantes à jovens e adultos e com isso ajudá-los na inserção ao mercado de trabalho por meio profissões que estão em alta, porém, carentes de profissionais capacitados para ocuparem as milhares vagas em aberto;  além de atividades socioculturais, socioambientais e esportivas. 
Para comprovar esta informação a nossa reportagem consultou 
a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e a mesma divulga que nove em cada dez empresas da construção civil sofrem com a falta de trabalhadores qualificados no setor e com isso o desempenho dos trabalhadores fica comprometido, como também, os prazos estabelecidos para entrega, além da queda na produtividade, devido à ocorrência dos inúmeros acidentes provocados pela ausência desses indicadores. Esses são dados concretos que descobrimos e que, se referem apenas a uma área profissional das quais as organizações irão atuar por meio dos  cursos e por isso a capacitação profissional é uma das maiores preocupações dos representantes das duas organizações que destacam como fator fundamental dentro dos projetos em andamento.

Já durante a inauguração, a Associação Comunitária Estrelar e a ONG Bala de Goma realizaram inscrições  e durante toda a semana estarão com vagas abertas (veja endereço e como se inscrever para os cursos no rodapé desta matéria) para o curso de construção civil, onde o aluno irá aprender não apenas as técnicas da profissão, como também, métodos de prevenção contra acidentes de trabalho. Ainda de acordo com a CNI, a falta de trabalhadores é maior para os serviços básicos da construção civil: 94% das empresas sofrem pela falta de mão de obra básica, em especial, com a escassez de serventes e pedreiros, mas existem vagas desde o peão até o engenheiro.  Para o representante da Bala de Goma Sérgio Reis Filho, a Cidade Tiradentes tem um grande potencial socioeconômico, no entanto, ainda existem milhares de pessoas sem acesso as principais ferramentas que possam lhes garantir condições para um desenvolvimento profissional, cultural, intelectual e, sobretudo, social; mas com a chegada deste espaço a intenção é mudar essa triste realidade e dar à essas  pessoas estruturas que as ajudem a sair das estatísticas que por centenas de anos insistem em contribuir para o resultado dos piores índices de  desigualdades sociais no Brasil. O evento também contou com a presença de outros representantes das duas instituições e a Ana Paula Retuci da Bala de Goma abriu a festividade convidando para subir ao palco líderes comunitários, atletas, artistas locais e convidados ilustres. Há ainda mais dois espaços para serem inaugurados nos próximos meses e isso marca o início de um novo tempo na vida dos quase 300 mil habitantes da Cidade Tiradentes conforme os discursos realizados durante o evento.


Como se inscrever para os cursos:

Avenida dos Têxteis, 580 - Cidade Tiradentes, de segunda a sexta-feira no horário comercial.


Foto: Marcos Santos
Ana Paula e Sérgio Filho ouvindo as ideias dos parceiros envolvidos nos trabalhos das ONG's.

Foto: Marcos Santos
Moradores assistindo as apresentações no palco durante inauguração.
Foto: Marcos Santos
Sérgio Reis Filho fazendo discurso para a comunidade da Cidade Tiradentes.



Foto: Marcos Santos
Gilmara Alvim e Sônia Santos(ONG Bala de Goma) fazendo discurso na abertura do evento.

Foto: Marcos Santos
Da direita para esquerda: Sérgio de Paula, senhor Paulo(PMDB) e Ana Paula Retuci


Foto: Marcos Santos
Gilmara Avim e Paula Retuci posando para foto com convidados.







Curiosidade
CIDADE TIRADENTES - DADOS FÍSICOS



Foto reprodução do Google imagens.

Área: 15 km2
População: 219.868 habitantes (Censo 2010)
Homens: 47%
Mulheres: 53%
Cor auto atribuída:
Branca 34%
Preta – 21%
Parda- 39%
Outras - 6%
Densidade Demográfica: 16.009,03 (Hab/km²)
Unidades Habitacionais: 40 mil
Comunidade Carente: 16
Nº de Domicílios: 50 mil (aprox.)
Localização: 35 quilômetros do marco Zero/Praça da Sé
* Estabelecimentos comerciais: 2000, aproximadamente;
* Empregos oferecidos: 2000, aproximadamente;
* Renda Média: R$ 864,00
* Renda Familiar em salários mínimos: até 2 - 36%
Mais de 2 a 3 – 29%
Mais de 3 a 5 – 21%
Mais de 5 a 10 – 8%
Mais de 10 a 20 – 1%
Mais de 20 a 50 – 1%
Mais de 50 – 0%

* Classificação Econômica: A - 1%
B - 24%
C - 65%,
D - 10%,
E - 1%

PRINCIPAIS VIAS:
* Estrada do Iguatemi
* Av. Inácio Monteiro
* Av.dos Metalúrgicos
* Av. dos Têxteis
* Av Sara kubitscheck

BAIRROS DE CIDADE TIRADENTES
Fazenda do Carmo, Vila Hortência, Prestes Maia, Inácio Monteiro, Vilma Flor, Sítio Paiolzinho, Vila Yolanda, Dom Angélico, Sítio Conceição, Castro Alves, Vila Paulista, Santa Etelvina II B, Jardim Souza Ramos, Jardim Maravilha, Barro Branco, Jd. Pérola, Jd. Vitória, Jd. 3 Poderes, Santa Etelvina I A, Santa Etelvina VII A (Setor G), Santa Etelvina II A, Santa Etelvina III A, Santa Etelvina IV, Morro Disso, Gráficos.

Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/cidade_tiradentes

sábado, 12 de outubro de 2013

Charge também é cultura.

Atendendo aos pedidos de amigos e familiares, este blog à partir de agora também prestará serviços de entretenimento, porém, não tão menos importantes do que tudo que tem sido postado até agora. E para dar inicío a essa nova fase do Blog Jornalismo.com apresento aos meus seguidores esses desenhos em forma de charge, o qual dedico esta  primeira postagem ao amigo, chef de cozinha e jornalista: Diogo Leite da Silva. Logo abaixo aparece outro personagem, mas, infelizmente por motivos de força maior não posso revelar o nome  da pessoa pela qual foi inspirada no Horácio, personagem do Maurício de Souza, porque ambos têm algo bastante familiar.

Desenho de Marcos Santos

Foto reprodução da página do facebook do Diogo

Quem é e, o quê faz o nosso sorridente personagem?

Diogo Leite da Silva é formado em Jornalismo e já fez vários cursos livres de audio-visual  porque está se especializando em cinema. Este pretinho simpático e de sorriso largo ganhou o apelido de garoto sorriso ainda na faculdade graças a sua espontaneidade e facilidade de rir de situações que, muitas vezes ao invés de sorrir deveria chorar. Apaixonado por cinema e tudo que envolve audiovisual e um excelente roteiro. Eeste garoto sorridente durante sua vida acadêmica  também mostrou que é bom em gastronomia e por isso mereceu ser retratado neste desenho em um ambiente totalmente familiar: a cozinha. Atualmente, esse mestre da gastronomia dedica suas horas vagas para divulgação de tudo que rola no mundo cinematográfico e cultural. Para mais informações sobre os assuntos que o nosso amigo domina, acesse o blog Alfajor Filmes ou envie um convite para o garoto sorriso  no face: https://www.facebook.com/alfajorfilmes. Conheça também sua página de vídeos: http://vimeo.com/diogoleite



Desenho e montagem de Marcos Santos

Como informei acima, este é o nosso amigo Horácio e por não haver tanta afinidade assim com a pessoa que deu origem ao personagem, me reservo no direito de não comentar mais nada a respeito. Deixo apenas esta imagem e, as reflexões ficam por conta de cada seguidor deste blog. Agradeço aos quase quatro mil seguidores  e até a próxima.



sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Parque Jardim Nova Conquista em Vila Bela ganha destaque no site IG e Jornal da Cultura


Foto: Marcos Santos
Vista o parque pelo terreno ao lado de propriedade da Sabesp.
Hoje faz um mês e vinte dias que a nossa reportagem esteve na Vila Bela e para surpresa de muitos, a situação ainda continua na mesma, ou seja,  nenhuma providência foi tomada e, o pior, ninguém assume a responsabilidade e um joga a bomba pra cima do outro. Enquanto isso, quem sofre é a população que além da indiferença e incompetência das autoridades, ainda sofrem com a carência de elementos básicos que todo ser humano precisa, para ter uma vida digna. O caso aqui relatado é tão relevante que já está chamando a atenção de outros veículos de comunicação de grande expressão e por isso,  mereceu uma reportagem especial e mais detalhada  pelo site IG, como também, pela TV Cultura na reportagem de Patrícia Monken para o jornal da Cultura. Acompanhamos as repórteres e, como já esperávamos, o problema é bem mais sério. Confira o que foi publicado nestes veículos.



Foto: Marcos Santos
Representante da ONG Bala de Goma Sérgio Reis mostrando para a repórter Carolina,
 a situação precária da Vila Bela

Foto: Marcos Santos
Repórter Carolina Garcia anotando os contatos dos responsáveis pela administração do parque.
Acima, Sérgio Reis e Carolina ouvem queixa de moradores.

Foto: Marcos Santos
Repórter Carolina Garcia ouvindo as queixas de adolescente. Ao lado esquerdo,
buraco por onde ele e outras crianças passam para brincar no terreno da Sabesp.



Outro problema grave que os moradores da Vila Bela enfrentam é a falta de iluminação pública. O  Jornal da Cultura esteve no bairro e constatou que a situação é realmente precária e ouviu a queixa da população por meio do representante da ONG Bala de Goma, Sérgio de Paula que falou em nome da líder do bairro, Aparecida Sola de Moura. Caso não queira assistir a todo o conteúdo, vá direto para o time de 05:05.




segunda-feira, 29 de julho de 2013

Infância Pasteurizada



Foto reprodução: Google



Por: Marcos Santos

Ser criança nos dias atuais é muito complicado e eu explico por quê. Eu lembro que na minha infância não existiam jogos eletrônicos, computadores e carrinhos motorizados, como os de agora. Eu não tinha uma vida de luxo e pra ganhar um carrinho ou uma bola, tinha de esperar a chegada do Natal. Mas, apesar de tudo isso eu era muito feliz.
Andar de bicicleta só se fosse na Caloi ou na Monark dos coleguinhas que tinham um dinheirinho a mais do que eu. Mas, o gostoso mesmo era reunir todos os meus amigos naquele quintal espaçoso lá de casa e, juntos, criávamos nossos próprios brinquedos. Na fabriquinha improvisada surgiam várias invenções como motocas, carrinhos de rolimã, jogos de tabuleiros e muito mais.
Quando surgiu o pebolim foi como se tivessem inventado o Play Station, Xbox ou o Kinect e, claro, que o sonho de toda criança era ter um. Como era muito caro, só quem era rico conseguia ter um em casa. Mais uma vez os pequenos operários da fabriquinha, corriam para o quintal e lá fabricávamos de forma bastante artesanal o tão desejado joguinho, o quê para nós era mais um sonho realizado.
A matéria prima era um pedaço de madeira com vários pregos fincados e enfileirados que serviam como obstáculos por onde a bolinha de gude ia e voltava impulsionada pelos elásticos que eram presos nas cabeças dos pregos.  A criatividade estava presente em todo o momento e ninguém passava vontade.
Assim como nos dias de hoje, a gente também se esquecia da hora do almoço e do banho por causa do tempo que perdíamos inventando e fabricando nossos brinquedos. Só que ninguém passava fome porque a equipe era bem organizada e no quintal de um dos meninos tinha vários pés de frutas como laranja, mexerica, manga, amora, ameixa, etc.
No meu tempo quase não se falava em crianças obesas porque o esporte estava bem presente no dia a dia. Lembro que nos fundos da minha casa tinha um campinho de terra batida e lá realizávamos vários campeonatos de futebol, vôlei a até basquete.  Brincar na rua não oferecia nenhum perigo. Aliás, era na rua que surgiam as mais mirabolantes ideias. As meninas brincavam de amarelinha, boneca, escolinha, casinha e tudo numa simplicidade e ternura que só de pensar a emoção toma conta daqueles que viveram essa época.
Os tempos mudaram e com isso muita coisa também mudou. Hoje existe um novo perfil de criança que já encontra, quando não pede, tudo pronto.  Os carrinhos agora são velozes e turbinados e comandados pelos pequenos por meio de controles ou sensores magnéticos.

A casinha também está bem moderna e é possível decorá-la com o que há de melhor nas lojas de móveis e eletrodomésticos, porém, no mundo virtual. As roupinhas de bonecas feitas a mão pelas mães e avós, foram substituídas pelas tendências da moda dos grandes desfiles brasileiros e internacionais, e tudo isso, num simples ‘clic’ no mouse do 
computador é possível vestir e despir a boneca de acordo com o que há de mais fashion entre os looks apresentados na telinha de LCD do microcomputador.
O saudável jogo de futebol no fundo do quintal deu lugar aos games dos campeonatos brasileiros e europeus com narração dos grandes comentaristas e locutores esportivos da TV. Entendo que tudo isso é necessário para a evolução da humanidade, mas também entendo que tudo isso pode acabar criando uma geração de crianças que nunca saberão dar valor nas coisas simples da vida. Se existem culpados eu não sei e também não vem ao caso. Só sei que já passou da hora de ensinarmos nossas crianças a serem felizes não pelo o que elas possam ter e sim pelo que o elas possam ser.  

                                Foto reprodução: Google

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Vila Bela ganha espaço para nova sede comunitária

São Paulo, 19 de junho de 2013.



Foto: Marcos Santos
Moradores fazem fila para recebimento de cesta básica.

Vila Bela distrito de São Mateus zona leste de São Paulo inaugurou sua nova sede comunitária no dia 18 de junho onde irá funcionar a ONG - Associação Beneficente Bala de Goma.Durante a festa foram distribuídas centenas de cestas básicas, cobertores, colchões além de leite em pó e pães. 
Foto: Marcos Santos
Convidados de honra, Sérgio de Paula e Neto Araújo parabenizam Dona Cida pela inauguração da ABBG e  pela distribuição de allimentos.



Aparecida Sola de Moura 52 anos, líder comunitária desde 2009 e moradora no bairro há doze,  ressaltou a importância desta conquista e acredita que o órgão será a voz que precisavam  para conseguirem várias melhorias não apenas  de infraestrutura, como também, de inclusão social e meio ambiente  que a comunidade tanto carece.

 “Com a chegada da Associação Bala de Goma nós acreditamos que vai ficar mais fácil conseguirmos uma clínica de recuperação para os dependentes químicos, saneamento básico, horta comunitária e um espaço para reciclagem”, observou dona Cida. Segundo Gilmara Alvim e Sônia Santos – representantes da ONG ABBG já foram encaminhados dois ofícios à Sabesp dona dos terrenos solicitando autorização para uso dessas áreas que hoje servem como descarte de lixo e entulho, porém, até agora não obtiveram nenhuma resposta. Com a criação da horta hidroponica e usina de reciclagem, quatorze mil famílias serão beneficiadas com geração de emprego direto, como também, pelo consumo de um alimento totalmente sustentável sem agrotóxico e por um custo bastante acessível. Demerval Pacheco de Oliveira 48 anos,  morador há doze no bairro não aguentou esperar e resolveu fazer sua própria horta numa área próxima aos terrenos da Sabesp onde antes, também servia para descarte de lixo, móveis velhos e  veículos furtados; ele investiu cerca de dois mil reais do próprio bolso entre cerca, preparo do solo e sementes. 

Foto: Marcos Santos
Demerval posa para foto na horta que ele mesmo cultivou.
Hoje, Demerval
comemora o resultado do investimento e satisfeito, conta que não cobra nada da população pelas hortaliças. Nossa reportagem também conheceu o Parque Jardim Nova Conquista que já deveria estar funcionando e promovendo lazer para a população, já que está pronto há mais de um ano, porém, ainda não foi inaugurado por questões políticas e o pior, já apresenta sinais de degradação, maus tratos (foto abaixo), além da erosão que está destruindo o asfalto na  entrada do parque. Sérgio de Paula e Neto Araújo, convidados de honra para a inauguração da ABBG observaram que, o quanto antes esses projetos forem viabilizados e o parque inaugurado quem ganha é a população em qualidade de vida e inclusão social.”Se este parque já estivesse funcionando, centenas de jovens e adolescentes poderiam participar de oficinas culturais e esportivas que a própria prefeitura poderia patrocinar para a comunidade”, ressaltaram Sérgio e Neto.



 Para o administrador do parque que preferiu não revelar o seu nome, o atraso na inauguração é por causa da burocracia para abertura das licitações das empresas que cuidarão da limpeza e da segurança do parque. A Secretaria do Verde e Meio Ambiente diz que o Parque Nova Conquista não faz parte da sua administração, já a Sabesp em nota informa que, as licitações para as obras da rede coletora de esgoto já estão em fase final e, a previsão para início das obras está marcada para agosto caso não haja interposição de recursos.

Foto: Marcos Santos
Duto da Sabesp serve de passarela de risco para a população que espera por horta orgânica.
Foto : Marcos Santos
Moradores deficientes sofrem com a falta de rampas de acessibilidade.

Foto: Marcos Santos
Parque Jardim Nova Conquista pronto há seis meses e fechado para a população.

Foto: Marcos Santos
Portões estão amassados e amarrados com arame enferrujado.





sábado, 15 de dezembro de 2012

Casa vira depósito de lixo, causa transtorno à moradores de Itaquera e põe em risco o meio ambiente.






Foto: Marcos Santos
.Dona Josefa A. de Souza sentada na entrada de sua casa

Casa localizada em Itaquera  zona leste de São Paulo preocupa moradores por causa do volume de lixo acumulado ao longo dos 5 anos e, que, além  dos ratos, baratas, moscas e aranhas, pode explodir a qualquer momento por causa da quantidade expressiva de material inflamável
Foto: Marcos Santos
Excesso de material inflamável corre risco de pegar fogo

Rua Arraial do Bonfim sem número-Vila Carmosina-Itaquera,  este é o endereço que está tirando o sono dos moradores do bairro humilde da Zona Leste de São Paulo. Tudo começou há cinco anos quando dona Josefa Almerinda de Souza, aparentemente com problemas mentais resolveu acumlar na própria casa todo tipo de material descartado em lixeiras da região. Apesar de vivermos em épocas em que a consciência ambiental ganha grandes contornos sociais e políticos e, a reciclagem quase que se tornou uma obrigação, para dona Josefa que aparenta ter uns 60 anos, o curioso hábito de guardar lixo está muito longe dessa nova realidade global. De acordo com moradores, ela sai cedo e  retorna no final da tarde equilibrando na cabeça, um  enorme saco preto  cheio de lixo  depois de andar quilometros de distância nas ruas do bairro de Itaquera. Eliana Nascimento, vizinha da catadora  há 14 anos, disse que, mesmo com todo o calor que tem feito nesses meses de   novembro e dezembro, as janelas de sua casa que estão de frente para o quintal de dona Almerinda,  ficam fechadas o tempo todo devido o mal cheiro e o perigo de entrar bichos como: baratas, ratos e aranhas, como já ocorreu.
A entrada da casa da Dona Josefa é cercada por muito mato e materiais inflamáveis diversos que, em vez de serem reciclados,  formam um  lixão a céu aberto. Inclusive, dentro da casa não é diferente, há lixo pra todo lado e, como não cabe mais nada no quintal , na cozinha e no quarto da catadora, o único lugar que restou  foi armazenar em cima do telhado. "Nosso maior medo é a qualquer momento pegar fogo no barraco e o fogo se espalhar para as outras casas, principalmente, na minha que fica colada à dela." Observou o sr. Roberto Elídio Vieira, 66 anos, morador há trinta  no bairro. O ambiente é hostil e o cheiro insuportável. Com ela moram, um sobrinho e seu marido que, de acordo com os vizinhos é alcoólatra e, apesar de ter um emprego estável há mais de trinta anos na mesma empresa, prefere viver nesta situação. A casa não tem água encanada e nem energia elétrica, foram cortadas por falta de pagamento. Sem nenhuma preocupação, eles bebem água de um córrego que se formou no quintal ao lado de uma  rede precária de esgoto e, muito mato. A vela é a luz que ilumina o barraco e pode a qualquer momento provocar um incêndio  O Jornalismo.com entrou em contato com a Subprefeitura de Itaquera e com o CRAS-Centro de Referência  Assistência Social, em 14 de dezembro último em busca de uma solução, porém até hoje ninguém se manisfestou.

Fotos: Marcos Santos
.Córrego que é usado para matar a sede da família e outras necessidades
                                                                             




Foto: Marcos Santos
.Montanhas de lixo acumulado há mais de cinco anos ocupam toda a casa




Foto: Marcos Santos
.Com transtornos mentais dona Josefa tenta se justificar


Foto: Marcos Santos
                                Sem ter mais lugar na casa para guardar o lixo, a catadora acumula em cima da casa.

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