quarta-feira, 6 de maio de 2015

EDITORIAL

        DIGNIDADE...RESPEITO...VALORIZAÇÃO...ABANDONO...RESGATE, Enfim.



Foto reprodução internet


Documentos autenticados e protocolados que comprovam as inúmeras irregularidades nas entidades.
Por Marcos Santos

Seria muito bom se essas palavras que, em seu bojo representam os mais importantes pilares para a construção de uma sociedade mais justa fossem traduzidas por uma única frase: TRANSPARÊNCIA. Palavra que por si só já define quais são as obrigações de quem deseja gerenciar recursos aos quais não lhes pertencem de acordo com a Lei 12.527/2011.  O significado de transparência nada mais é do que VERDADE pura e cristalina no qual não deixa dúvida quanto a determinadas condutas de quem está à frente de alguma instituição seja ela pública ou privada. 

Resolvi começar esse editorial com essas frases de impacto para mostrar à você nobre leitor o quanto o verdadeiro conceito dessas palavras está sendo utilizado de maneira equivocada, exagerada, tendenciosa, e pior: sob pano de fundo e apoio de figuras políticas que deveriam no mínimo, promover o debate sobre até que ponto há verdade em tudo isso que se propaga diariamente em redes sociais, sobretudo, nesta entidade (SINDMUSSP) em questão.  Parece que o grau de confiança ou veracidade é medido de acordo com o número de "like" e compartilhamentos(que por sinal anda bastante baixo, já que não se está pagando mais para impulsionar) deixando portanto, a falsa impressão aos mais desavisados, de que essa meia dúzia de internautas que concordam com esse tipo de conteúdo por meio de comentários elogiosos, curtidas, compartilhamentos, enfim. Mesmo sabendo  que não há verdade daquilo que está sendo exposto, apenas se utilizam dessa importante ferramenta (facebook) para satisfazer o ego da diretoria onde não existe nenhum compromisso com a verdade na maioria das publicações. É o famoso clichê: "pensam que enganam e essa meia dúzia finge que acredita".  Entretanto, a cada dia que passa e, de acordo com tantas denúncias que evidenciam inúmeras práticas criminosas,  fica cada vez mais difícil e insustentável manter uma imagem positiva/persuasiva, já que se trouxe à luz as grandes sujeiras que estavam escondidas embaixo do tapete. Enquanto aqueles que se intitulam  representantes dos músicos gastam seu tempo  tirando selfies, expondo seus falsos e cínicos sorrisos numa demonstração clara e cristalina, de que não estão nem um pouco preocupados com as recentes revelações que estavam escondidas há anos numa enorme caixa preta. Enquanto os trabalhadores músicos sofrem debaixo de sol e chuva para garantirem  o próprio sustento e da família com tantos sanguessugas devorando os seus recursos financeiros e direitos trabalhistas, sob a batuta de políticos e autoridades que ignoram as regras do estatuto para a competência do cargo. Mas essas atuações criminosas têm como objetivo delapidar o patrimônio da entidade que, na visão distorcida desses pelegos não são os músicos associados e colaboradores, mas os bens físicos e imobiliários que o Sindmussp ainda possui, porém, pelo andar da carruagem, a tendência é de que esses bens daqui há alguns anos sejam leiloados ou até bloqueados pela justiça para pagar indenizações de funcionários e prestadores de serviços autônomos. O tempo vai dizer.
Foto reprodução internet

Alemão e seu assessor Grimaldi posam para selfie querendo mostrar trabalho.

Que o Brasil vive a pior crise moral e ética de sua história já não é novidade pra ninguém, mas, quando essas práticas endêmicas já não são mais, apenas prerrogativas de partidos políticos e espetáculos midiáticos promovidos por veículos de comunicação partidários favorecendo grupos de ideologias direitistas ou esquerdistas dependendo do interesse de cada um é claro, a coisa ganha outra configuração ainda pior. Digo isso porque tenho observado sistematicamente o quanto determinadas pessoas estão se vendendo a troco de nada. Abrem mão de seus valores acreditando que terão êxito em seus "projetos de vida" onde a base disso tudo não há sustentação que garanta a edificação de tais sonhos, já que a fundação está deteriorada e comprometida. Quando pessoas oportunistas,  despreparadas e ignorantes resolvem se apropriar daquilo que não lhes pertencem arrastando (laranjas) outras consigo, todos cairão num abismo sem fim e não adianta reclamar depois que a lama deste terrível mar que foi criado, já estiver chegando ao pescoço. Será inevitável e tarde demais!

DIRETO AO ASSUNTO

Há mais de um ano que venho observando a conduta dos representantes do Sindicato dos Músicos de São Paulo e percebi o quanto as estruturas operacional e administrativa estão comprometidas não com a verdade e transparência na condução dos trabalhos, mas, sobretudo, com a auto promoção e vaidade excessivas em detrimento ao real interesse de uma classe que sofre há mais de cinquenta anos pela inércia e interesses escusos de quem se dizia representar os profissionais músicos. Porém, agora a coisa está muito pior.

Neste período iniciei uma intensa e exaustiva investigação apesar de, eu e minha família recebermos diversas ameaças em redes sociais e telefonemas anônimos, porém, não cedi as intimidações e ameaças, mas permaneci e estou em paz como diz na canção do Rappa: "A paz sem voz, não é paz é medo". É um absurdo a quantidade de relatos de insatisfação que circulam no Youtube  e redes sociais contendo provas verídicas e incontestáveis por meio de documentos, entretanto, as autoridades parecem estar adormecidas ou, talvez, quem sabe estão sendo cúmplices dessas práticas criminosas de acordo com as denúncias em  vídeos que vocês podem conferir acessando os links no final deste texto. 

Foto reprodução internet
Alemão ao centro, posa abraçado com lideranças ligadas aos sindicatos: cargas e Polícia Ferroviária e, com paletó na mão, Luís Antonio Medeiros-Superintendente Regional do Trabalho/SP. A imagem revela os verdadeiros interesses à quem se diz  ser representante dos músicos.


Foto reprodução internet
Alemão posa para foto ao lado de políticos cujo interesse é passar a falsa impressão
de que está buscando apoio político na concretização dos anseios dos trabalhadores músicos.






Foto reprodução internet
Alemão se reúne mais uma vez em Brasília no gabinete do Ministro do Trabalho Manoel Dias e posa para
fotos com equipe ligada a pasta do ministro, cuja pauta não está bem clara de acordo com o texto escrito.


A mesa repleta de documentos protocolados revelam e comprovam as irregularidades administrativas na OMB e Sindmussp.


Como se defende muito a ideia de dignidade, respeito, valorização e outras virtudes, por quê não incluir neste discurso fantasioso a palavra transparência, porém, não apenas incluir, mas acima de tudo, provar por meio de ações simples, como por exemplo: convidar os donos (músicos) da casa à participarem das ações políticas e administrativas, dando-lhes total liberdade para interferir em tudo aquilo que entenderem estar andando na contramão (e como tem coisa errada nesse jogo sujo do político) dos seus verdadeiros ideais e interesses. Outra coisa, demonizaram e demonizam tanto o antigo  presidente da entidade Wilson Sandoli (não que ele seja santo) rotulando-o como ditador, fascista e tudo mais, porém, a história não mudou, a não ser na retórica. A situação é tão nebulosa e o jogo de interesses tão acentuado que o caso foi parar na justiça e qualquer um pode ter acesso ao processo e com isso discernir as intenções de quem tanto deseja o poder dessas entidades.

Alemão tira uma selfie com Roberto Bueno- OMB/SP e Tony Maranhão-OMB/Distrito Federal comemorando a entrega do seu mais novo  título/cargo de Presidente da Comissão de Reestruturação Administrativa e Operacional da OMB Federal 

Imagem internet.
Total falta de coerência entre a imagem e texto. Alemão posa para foto sob o pretexto de que está mudando a história
da classe musical, porém, a verdadeira intenção é vender uma falsa imagem de alguém capaz de promover as frases que abrem este editorial.




Eu digo isso com base no processo 0010254-55.2014.403.6100  transitado e julgado pela Drª Juíza Federal ROSANA FERRI VIDOR que, de acordo com o resultado, as irregularidades apontadas no processo da OMB X Sindmussp são cabíveis de uma ação civil.  Para elucidar ainda mais essas informações, de acordo com o site Músico Empreendedor desde que a nova direção do Sindmussp "assumiu" a entidade, existem lacunas que ainda não foram preenchidas e inúmeras perguntas que ainda estão sem respostas, como exemplo: aonde foram parar os R$ 4,3 milhões que a entidade recebeu entre abril de 2013 a abril de 2014, isso apenas referente ao Artigo 53? 


Quando falo em transparência não estou me referindo apenas a essa dinheirama que circula todos os anos não apenas na OMB , como também no Sindmussp, mas, acima de tudo aos benefícios que tanto serviram de estratégia de marketing para atrair àqueles que já não acreditavam mais em seus representantes. Portanto, ficam aqui as minhas perguntas: 

Cadê o cabeleireiro? Cadê a Van que seria adaptada num consultório odontológico itinerante? O projeto Fanfarra nas Escolas, por quê não se fala mais? Por quê é tão difícil conseguir consulta com o dentista? Os estúdios, quando finalmente ficarão prontos com direito a 1 mil Cd's gravados para os associados músicos trabalharem ? Aonde anda a cabeleireira Raquel do programa do Gugu que foi agraciada com a gravação de um CD e mais 1mil cópias e aulas de canto pelo Alemão? Aliás, pelo dinheiro que anda entrando já deveriam estar prontos os "projetos" e, tudo funcionando a todo vapor! Será que os seis meses de salários atrasados já foram pagos? Pelo menos eu não recebi e tive de recorrer a justiça trabalhista.
Alemão no programa do Gugu prometendo gravação de CD, aulas de canto e 1000 cópias do trabalho à cabeleireira.


Como músico gostaria de ver estampado nas redes sociais diariamente, imagens e notícias relevantes de progresso e desenvolvimento contínuos que de fato possam agregar à todos os profissionais da música valores profissionais, não essa campanha pobre de marketing político ultrapassado, mesquinho e amador que serve somente para agradar meia dúzia de parasitas e bajuladores pagos para fazerem isso. Isso que foi publicado hoje já tem mais de um ano, aliás, eu mesmo gravei alguns desses vídeos e por isso não reflete a realidade atual e nem tampouco serve de parâmetro para validar o que eles chamam de: dignidade e respeito. O mundo da música é dinâmico, criativo e envolvente e portanto, não cabe dentro dessas ideologias maniqueístas e anticultural.

Foto reprodução internet.
Há um ano, iludidas Pepe e Nenem fazem propaganda gratuita do Sindmussp, mas de lá para cá as coisas continuam estagnadas.

Mário Henrique de Oliveira expõe documentos que comprovam as fraudes nas entidades:
Ordem dos Músicos do Brasil e Sindmussp.
Transparência é dar a cara a tapa como o músico Mário Henrique de Oliveira vem fazendo há mais de quarenta anos mostrando provas conforme imagens e vídeos aqui publicados e confrontando àqueles que se intitulam representantes dos músicos. Encerro esse editorial com um versículo bíblico que traduz exatamente tudo o que relatei neste blog.



"Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido". Lucas 12:2.

Copie e cole os links abaixo e saiba mais sobre este assunto:
                

http://www.jusbrasil.com.br/diarios/documentos/126261336/processo-n-0010254-5520144036100-da-subsecao-judiciaria-de-sao-paulo

http://www.musicoempreendedor.com/2014/05/sindmussp-quer-transferir-suas.html

https://www.youtube.com/watch?v=BYNyK1dtuC4

https://www.facebook.com/mariohenrique.deoliveira.7?fref=ts

https://www.youtube.com/watch?v=kPPuOVw5Prk

https://www.youtube.com/watch?v=l3f5soVOB7A

https://www.youtube.com/watch?v=OCDnHB8Bj8w














quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Aniversário de São Paulo...Comemorar o quê?



Foto reprodução Google imagens.

Foto reprodução Google imagens.

Por Marcos Santos


A cidade de São Paulo se prepara para a chegada de mais uma data festiva: 25 de janeiro de 2015, aniversário da quarta maior metrópole do mundo que completa 461 anos. Com cerca de 20 milhões de habitantes, a cidade perde apenas para o Japão, México e Seul, ou seja, só a população daqui daria para encher esses países e ainda a capital da Coréia do Sul. As atrações culturais já começam no dia 24 e contará com mais de 60 atrações que você pode conferir acessando o site da Secretaria Municipal de Cultura.
 Pois bem. Quais motivos nós temos para comemorar? Vou direto ao assunto que está assombrando mais de 12 milhões de paulistanos e já é pauta todos os dias nos grandes noticiários do Brasil e do mundo há um ano: a inevitável falta d’água que já reflete, inclusive, em outra área, a energia elétrica. Já são frequentes os terríveis apagões resultantes também, da drástica redução dos níveis nas bacias hidrelétricas das principais usinas responsáveis por gerar energia para a região sudeste. 
Foto reprodução do Google imagens.

Em março de 2014 o site da BBC Brasil publicou uma densa matéria sobre a crise hídrica e apontou as principais causas para essa tragédia. Maria Assunção Silva Dias, pesquisadora de Ciências Atmosféricas da USP disse ao site que os reservatórios de São Paulo não suportariam um período tão longo de seca e ressaltou que mudanças climáticas sempre ocorreram desde 1930 o que é muito normal. Ela citou, inclusive, o excesso de chuva que acorreu entre 2009 e 2010 causando o maior transtorno à população. Àquela época foi registrado um volume 30% a mais do que o normal  para o período, porém, hoje a situação é contrária e os irresponsáveis culpam a Deus pela escassez de chuva. 
Este é apenas um do problemas e, não menos grave do que dezenas de outros que enfrentamos todos os dias. Comemorar oquê? Trânsito caótico? Indústria de multas que arrecadam milhões por ano com o pretexto de que é necessário para educar os  motoristas, mas não fazem nada em melhorias em infraestrutura urbana com esse rio de dinheiro? Crianças abandonadas usando crack nas esquinas matando o futuro do nosso país? Comemorar o sofrimento de milhões de trabalhadores espremidos nos ônibus, trens e metrôs todos os dias quando vão e voltam do trabalho? Comemorar o quê? As enchentes que assolam e destroem tudo o que veem pela frente por falta de competência e planejamento dos governos? Os chefes de famílias que morrem diariamente vítimas dessa violência incontrolável nas periferias e bairros centrais? As jovens que são estupradas dentro da USP por sujeitos de pele branca e olhos claros? As ciclovias construídas sem nenhum planejamento? É tanta bandalheira que nem vou me aprofundar e deixo á você leitor, refletir sobre: a educação, a saúde,  a segurança pública, saneamento básico, enfim. Este é um pequeno raio X da situação endêmica que a capital mais rica do Brasil está enfrentando há dezenas de anos.   
Fotos reprodução Google imagens.


Porque ao invés de gastar milhões promovendo essa celebração em homenagem a cidade, não investe esse dinheiro nos principais problemas da nossa caótica infraestrutura urbana e, com  isso minimizar esse caos e evitar quem sabe, o eminente colapso nas estruturas sociais dessa metrópole que poderia servir de modelo para outros estados brasileiros e até para o mundo. A capital é feita de gente que trabalha, paga seus impostos, fazem manifestações, sofrem diariamente vítimas do caos urbano e não de monumentos, praças, arranha-céus, grandes avenidas e parques. 

Portanto, melhorar a vida dessas pessoas, paulistanos ou não que fazem da aniversariante a quinta maior potência do mundo, teria que no mínimo ofecer um padrão de vida digno e não pão e circo. Seria razoável pra não dizer outra coisa, que os governos: municipal e estadual tratassem essa grande massa de trabalhadores como verdadeiros seres humanos e não como gado conforme a letra do cantor Zé Ramalho-Admirável Gado Novo.  Música, folia, comemorações, enfim, são bem-vindas quando existe motivos para isso. De que adianta oferecer ao povo um final de semana festivo, “alegre” e na segunda-feira e o resto do ano continuarem os mesmos sofrimentos. Como filho da capital há 48 anos eu penso que tudo isso seria aceitável se realmente tívemos verdeiros motivos para comemorar. Então, deixo aqui registrado mais uma vez a minha pergunta:     
                                                 Comemorar o quê?

Foto reprodução Google

 
Fotos reprodução Google imagens



Foto reprodução Google imagens


 


segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Sobrevivente da II Guerra Mundial conta como a música lhe ajudou a superar as perdas e recomeçar uma nova vida no Brasil.

Por Marcos Santos
Foto: Marcos Santos

Sarah Lewin nasceu na Polônia em 1926, mas, viveu no país até o terceiro ano de vida. Passou a infância e adolescência na Bélgica. Aos seis anos ela conhece uma vizinha que tinha um piano no qual a filha estudava e, a partir daí a menina Sarah começa a se interessar pela música, porém, a família sem condições financeiras não tinha como investir na criança. Entretanto, sua vizinha percebendo o dom da pequena, a matriculou para ter  aulas de piano  juntas, ela e a filha. Sua família aceitou a ajuda daquela vizinha que pagava as aulas para a menina.  Aos onze anos, já conhecendo bem de música entrou para o conservatório musical no qual tinha aulas de terças e quintas com a professora Madame Du Pont. Aos domingos se reunia com os alunos no anfiteatro da cidade de Liége para acompanhar os concertos cujos repertórios eram escolhidos dos clássicos de Baah, Beethoven, Frédéric Chopin entre outros. Porém, o sonho de ser concertista foi interrompido pela guerra em meados da década de 1940. A partir daquela data a vida da adolescente Sarah se resumiu em fugas para tentar sobreviver do terrível massacre que chocou o mundo. De família judia, aos  14 anos teve que imigrar forçadamente para Marseille na França com a família, parentes e vizinhos por causa da invasão dos soldados alemães. Apesar de o local ter sido construído pelos franceses para abrigar os judeus refugiados, o ambiente era hostil e, portanto, as condições de vida eram extremamente precárias: sem saneamento básico, alimentação e infra-estrutura totalmente inadequadas e desumanas.  
Foto reprodução: Google
A Segunda Guerra iniciou-se, em setembro de 1939 e foi até 1945. O país escolhido para a invasão foi à Polônia pela Alemanha nazista comandada por Adolf Hitler e, de acordo com registros, esse trágico e desumano acontecimento deixou mais de seis milhões de judeus mortos, dos quais, amigos e parentes de Sarah Lewin-88 anos, levados para os campos de concentração fazem parte dessa terrível estatística do terror. O Holocausto, como ficou conhecido este horrendo evento, até hoje serve de inspiração para grandes produções hollywoodianas e literatura como: A menina que roubava livros, O pianista, O menino do pijama listrado, Hitler, Um sinal de esperança, O grande ditador, entre outros. Dona Sarah conta nesta entrevista realizada pelo jornalista Marcos Santos como conseguiu superar os terríveis momentos de dor ao ver suas amigas de infância desaparecerem da noite pro dia sem nenhuma explicação. Conta também do sumiço do pai que fora levado para campos de concentração com a promessa de que iria trabalhar na França para o exército de Hitler, porém, após anos desaparecido, sua mãe recebe atestado de óbito dando conta de que ele havia morrido num numa câmara de gás. Confira essa emocionanate entrevista.




Foto: Marcos Santos
Dona Sarah Lewin exibe livro preferido de Literatura Francesa.

Jornalismo.com-  Quando e como começou a guerra para vocês?

Sarah Lewin- Eu já era adolescente e na madrugada do dia 10 de maio de 1940 ,  acordei assustada  e vi  as  luzes da casa  todas acesas  e não entendi  nada. Porém, pensei que já estava na hora de levantar para ir à escola.  Minha mãe foi até o meu quarto,  desesperada e disse: levanta rápido!  Nós vamos sair de casa porque o exército de Hitler está vindo invadir a BélgicaJá arrumei as malas.  Não imaginávamos que a guerra pudesse chegar naquela cidade. Ouvimos rumores da guerra, porém estávamos despreocupados achando que não ia chegar até a cidade onde estávamos.

Jornalismo.com - Como foi que vocês conseguiram fugir dos soldados?

Sarah Lewin – Cada um pegou uma mala, fechamos a casa. Eu, minha mãe e meu  pai fugimos pelo mato até chegar à estação do trem.  A estação já estava lotada de judeus e não judeus e, no meio do tumulto conseguimos embarcar num vagão de cargas. Fomos levados para um campo de refugiados em Marseille na França já na fronteira com a  Espanha. Lá ficamos nove meses em campos de refugiados vivendo da pior  maneira possível. Fiquei muito doente e pra não morrer, meu pai ficou sabendo que a vida voltara ao normal na Bélgica e então, resolveu voltar.

Jornalismo.com :  Com as fronteiras totalmente cercadas pelo exército de Hitler, como  vocês conseguiram voltar?

Sarah Lewin: Meu pai pagou uma pessoa para nos atravessar escondidos pelo mato, porque os soldados cercaram todas as fronteiras, porém, os alemães já sabiam desse atalho e nos pegaram. Passamos a noite presos no quartel e pela manhã, fomos obrigados a voltar para o campo de refugiados em Marseille, entretanto, nos deixaram na fronteira próximos do campo. Meu pai ainda tinha algum dinheiro e novamente, pagou outra pessoa para nos atravessar. Finalmente, conseguimos fugir e chegamos em casa as 23h.

Jornalismo.com: A casa estava revirada ou destruída quando chegaram?

Sarah Lewin: Estava tudo do mesmo jeito que havíamos deixado. Os vizinhos cuidaram das nossas coisas. Então a nossa vida parecia ter voltado ao normal, meu pai voltou a trabalhar na mesma metalúrgica de antes.  Tudo parecia estar tranqüilo, porém, um belo dia, os alemães foram na minha casa e entregaram uma carta ao meu pai dizendo que todo chefe de família judeu que aceitasse trabalhar na França para os alemães por três meses, além de receber salário, eles deixariam as famílias em paz.  Meu pai acreditou e aceitou a proposta.  Mas, três meses se passaram e nunca mais tivemos notícia dele.  Depois de algum tempo descobrimos que fomos enganados. Meu pai foi levado para a Alemanha e morto em um campo de concentração.

Jornalismo.com: Como ficou a vida de vocês depois desse triste acontecimento?

Sarah Lewin: Nossa vida ficou muito difícil e complicada. Nós éramos obrigadas como todo judeu, a usar um broche em formato de estrela de Davi como identificação.  Quem não usava era morto pelos soldados.  Minha professora de piano com medo de acontecer alguma coisa comigo, achou melhor eu não ir mais à casa dela porque os soldados poderiam me prender a qualquer momento.  Ela sabia do perigo que eu estava correndo, até porque, tinha dois filhos que foram alistados no exército alemão e voltaram da guerra muito feridos.  Algum tempo depois enquanto estávamos dormindo, os soldados alemães chegaram á minha casa fortemente armados com metralhadoras e bateram na porta violentamente. Assustadas, nos arrumamos rápido e minha mãe abriu a porta e, já sabia que seríamos levadas. As malas já ficavam  prontas. Eles queriam levar também a filha da vizinha que sempre dormia em casa, porém, ela era italiana e então os soldados a deixaram ir.

Jornalismo.com: Para onde vocês foram levadas?

Sarah Lewin: Fomos levadas para um quartel próximo ao bairro onde morávamos. Passamos a noite em pé juntas com outras a famílias de judeus que já estavam lá com suas malinhas aguardando o seu destino cruel. Nós, e várias pessoas recebemos uma carta que, supostamente dava direito a trabalhar nas fábricas de munição. No outro dia foi feita a seleção dos que tinham a carta e dos que não tinham.  As pessoas que tinham a carta puderam voltar às suas casas, mas, quem não tinha foi levado direto para a câmara de gás.  Aquela carta na verdade não era um encaminhamento para trabalhar e sim uma farsa para para não chamar  a atenção dos que seriam mortos.  Depois daquele triste dia, nunca mais vi minhas amigas e seus familiares. Passadas duas semanas, eles voltaram para nos prender, mas conseguimos fugir antes. Ficamos perambulando pela cidade e, um militante da resistência belga contra os alemães se aproximou enquanto lanchávamos em um bar. Pensamos ser um soldado alemão, porém, ele se identificou  e nos abrigou em sua casa. Ali passamos a noite.  No dia seguinte ele nos levou à um esconderijo perto de onde morávamos nos fundos da casa de um casal de idosos.  Minha mãe aproveitou e foi até a minha residência pegar alguma coisa, mas chegando lá a casa estava toda revirada e vazia.  Até o meu piano que meu pai havia comprado com todo sacrifício, eles retiraram pela janela. Levaram tudo. Na edícula onde ficamos, além de nós, esse casal de idosos abrigou outros judeus. Lá, estávamos seguros e os soldados jamais desconfiariam que tivesse povo judeu ali.

Jornalismo.com: Por quanto tempo a senhora ficou escondida naquela edícula?

Sarah Lewin – Ficamos na casinha dos idosos até terminar a guerra, aproximadamente dois anos. Passamos por muitas necessidades e revoltada com aquela situação resolvi ser uma militante belga e me juntei a eles.  Depois, eu e minha mãe tivemos de enfrentar outra guerra: os traumas e fantasmas da guerra me deixaram com sérios problemas emocionais e psicológicos. Eu não conseguia dormir sossegada porque pensava nas minhas amigas, meu pai, e acordava no meio da noite gritando e muito assustada. Minha mãe mandava eu parar de gritar senão ia incomodar os vizinhos.

Jornalismo.com: Quando finalmente a jovem Sarah pôde sentir que a guerra havia acabado definitivamente,  fora e dentro dela?


Sarah Lewin: Muito difícil achar uma resposta, mas, possivelmente foi quando eu casei. Meu marido resolveu vir para o Brasil com medo de estourar outra guerra. Eu não quis sair da Bélgica porque não conhecia nada do Brasil. Só ouvia falar do Rio de Janeiro por causa da Carmem Miranda (risadas). Para mim só existia essa cidade. Não sabia que existia São Paulo, mas mesmo sem concordar muito, partimos. Eu já tinha meus dois filhos ainda pequenos e partimos para cá.

Jornalismo.com: Qual foi a reação da senhora quando chegou ao Brasil?

Sarah Lewin: Foi muito estranho, não sabíamos nada do idioma e muito menos aonde íamos morar. Chegamos ao Brasil em dezembro de 1956. Eu, meu marido e meus dois filhos: Daniel (4) e Gabriel de um ano e seis meses.  Minha mãe só  veio um ano depois.  Viemos de navio até o porto de Santos e depois trazidos de trem até o bairro do Bom Retiro no centro de São Paulo porque sabíamos que lá  havia muitos judeus. Passamos a noite em uma pensão cheia de pulgas. Daniel ficou doente e com o corpo todo ferido das mordidas das pulgas e gastamos o pouco do dinheiro que havíamos trazido, com o tratamento que durou seis meses.  Passamos por muitas dificuldades, doenças e até fome.  Pra ajudar o meu marido, eu comecei  vender roupas para um judeu  de porta em porta, mesmo sem saber falar português, infelizmente, levei muito calote.  Meu marido conseguiu emprego de vendedor de livros na Livraria Britânica e as coisas começaram há melhorar um pouco e até conseguimos alugar uma casa.

Jornalismo.com: Quando foi que o piano voltou a fazer parte da sua vida?

Sarah Lewin: Quando minha mãe veio morar conosco. Ela nos ajudou a comprar uma casa com o dinheiro que recebeu do governo da Bélgica pela morte do meu pai. Daí, parei de vender roupas e coloquei um anuncio no jornal para dar aulas de piano e ajudar o meu marido pagar a casa porque o dinheiro que minha mãe trouxe só deu para dar a entrada. Minha primeira aluna era francesa e me ensinou falar português em troca das aulas de piano. O piano era alugado e  logo os alunos foram chegando. Porém, um belo dia enquanto eu dava aula, recebi a visita de um fiscal da Ordem dos Músicos do Brasil. Minha vizinha havia me denunciado e tive de pagar multa por não ter a carteirinha.Eu nem sabia disso, mas regularizei a minha situação e me filiei à OMB e ao sindicato em 1966.  E continuei dando aula. Consegui comprar esse piano o qual já estou com ele há quase 50 anos.  As aulas começavam as 08h e iam até as 18h. Às vezes eu não parava nem para almoçar.  Quando tudo parecia estar indo tudo bem, meu marido ficou muito doente e teve de ser operado às pressas  de uma grave infecção na bexiga. Devido a doença, ele começou a faltar muito ao trabalho e  foi mandado embora da livraria Britânica. Daí,  a nossa vida e a situação financeira piorou e tivemos que vender a casa. Com o seu estado emocional super abalado e as  dificuldades financeiras, a doença do meu marido voltou e não teve mais jeito. Morreu.  

Jornalismo.com: Sem o seu marido e endividada, como a senhora conseguiu sair dessa?

Sarah Lewin: Nessa época o Daniel já era casado e o Gabriel não, mas trabalhava e me ajudou muito, além da minha mãe também, que recebia uma aposentadoria da Bélgica todo mês e me dava o dinheiro para pagar as contas.  Após seis anos da morte do meu marido recebi outro golpe do destino: minha mãe nos deixou vítima de uma anemia crônica que evolui, provocando uma severa pneumonia e ela não resistiu, já que naquela época a medicina não era tão avançada.  Foi o momento mais difícil da minha vida porque eu e minha mãe éramos muito apegadas.  Era ela que me dava forças. Ela me ajudou a superar muitas dificuldades. Ela era tudo pra mim. Eu fiquei sem chão e foi muito difícil superar a perda e, até hoje eu sinto muita falta dela.  Já se passaram trinta anos e confesso que, se não fosse o meu piano, talvez eu não estaria mais aqui.  A música se tornou a minha razão de viver.
Foto: Marcos Santos
Sarah Lewin e maestro Aluízio Pontes posam para foto.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Cidade Tiradentes ganha mais um espaço comunitário que promete mudar a realidade social de muita gente.



Foto: Marcos Santos
Sérgio Reis Filho (ONG Bala de Goma) apresentando as propostas e mecanismos  de inclusão social para a população.


Sábado último foi inaugurado mais um espaço na Cidade Tiradentes extremo leste de São Paulo. 

Denominado  Espaço Estrelar a Associação Comunitária Estrelar em conjunto com a ONG Bala de Goma têm como objetivo  levar para àquela comunidade,  cursos profissionalizantes à jovens e adultos e com isso ajudá-los na inserção ao mercado de trabalho por meio profissões que estão em alta, porém, carentes de profissionais capacitados para ocuparem as milhares vagas em aberto;  além de atividades socioculturais, socioambientais e esportivas. 
Para comprovar esta informação a nossa reportagem consultou 
a Confederação Nacional da Indústria (CNI), e a mesma divulga que nove em cada dez empresas da construção civil sofrem com a falta de trabalhadores qualificados no setor e com isso o desempenho dos trabalhadores fica comprometido, como também, os prazos estabelecidos para entrega, além da queda na produtividade, devido à ocorrência dos inúmeros acidentes provocados pela ausência desses indicadores. Esses são dados concretos que descobrimos e que, se referem apenas a uma área profissional das quais as organizações irão atuar por meio dos  cursos e por isso a capacitação profissional é uma das maiores preocupações dos representantes das duas organizações que destacam como fator fundamental dentro dos projetos em andamento.

Já durante a inauguração, a Associação Comunitária Estrelar e a ONG Bala de Goma realizaram inscrições  e durante toda a semana estarão com vagas abertas (veja endereço e como se inscrever para os cursos no rodapé desta matéria) para o curso de construção civil, onde o aluno irá aprender não apenas as técnicas da profissão, como também, métodos de prevenção contra acidentes de trabalho. Ainda de acordo com a CNI, a falta de trabalhadores é maior para os serviços básicos da construção civil: 94% das empresas sofrem pela falta de mão de obra básica, em especial, com a escassez de serventes e pedreiros, mas existem vagas desde o peão até o engenheiro.  Para o representante da Bala de Goma Sérgio Reis Filho, a Cidade Tiradentes tem um grande potencial socioeconômico, no entanto, ainda existem milhares de pessoas sem acesso as principais ferramentas que possam lhes garantir condições para um desenvolvimento profissional, cultural, intelectual e, sobretudo, social; mas com a chegada deste espaço a intenção é mudar essa triste realidade e dar à essas  pessoas estruturas que as ajudem a sair das estatísticas que por centenas de anos insistem em contribuir para o resultado dos piores índices de  desigualdades sociais no Brasil. O evento também contou com a presença de outros representantes das duas instituições e a Ana Paula Retuci da Bala de Goma abriu a festividade convidando para subir ao palco líderes comunitários, atletas, artistas locais e convidados ilustres. Há ainda mais dois espaços para serem inaugurados nos próximos meses e isso marca o início de um novo tempo na vida dos quase 300 mil habitantes da Cidade Tiradentes conforme os discursos realizados durante o evento.


Como se inscrever para os cursos:

Avenida dos Têxteis, 580 - Cidade Tiradentes, de segunda a sexta-feira no horário comercial.


Foto: Marcos Santos
Ana Paula e Sérgio Filho ouvindo as ideias dos parceiros envolvidos nos trabalhos das ONG's.

Foto: Marcos Santos
Moradores assistindo as apresentações no palco durante inauguração.
Foto: Marcos Santos
Sérgio Reis Filho fazendo discurso para a comunidade da Cidade Tiradentes.



Foto: Marcos Santos
Gilmara Alvim e Sônia Santos(ONG Bala de Goma) fazendo discurso na abertura do evento.

Foto: Marcos Santos
Da direita para esquerda: Sérgio de Paula, senhor Paulo(PMDB) e Ana Paula Retuci


Foto: Marcos Santos
Gilmara Avim e Paula Retuci posando para foto com convidados.







Curiosidade
CIDADE TIRADENTES - DADOS FÍSICOS



Foto reprodução do Google imagens.

Área: 15 km2
População: 219.868 habitantes (Censo 2010)
Homens: 47%
Mulheres: 53%
Cor auto atribuída:
Branca 34%
Preta – 21%
Parda- 39%
Outras - 6%
Densidade Demográfica: 16.009,03 (Hab/km²)
Unidades Habitacionais: 40 mil
Comunidade Carente: 16
Nº de Domicílios: 50 mil (aprox.)
Localização: 35 quilômetros do marco Zero/Praça da Sé
* Estabelecimentos comerciais: 2000, aproximadamente;
* Empregos oferecidos: 2000, aproximadamente;
* Renda Média: R$ 864,00
* Renda Familiar em salários mínimos: até 2 - 36%
Mais de 2 a 3 – 29%
Mais de 3 a 5 – 21%
Mais de 5 a 10 – 8%
Mais de 10 a 20 – 1%
Mais de 20 a 50 – 1%
Mais de 50 – 0%

* Classificação Econômica: A - 1%
B - 24%
C - 65%,
D - 10%,
E - 1%

PRINCIPAIS VIAS:
* Estrada do Iguatemi
* Av. Inácio Monteiro
* Av.dos Metalúrgicos
* Av. dos Têxteis
* Av Sara kubitscheck

BAIRROS DE CIDADE TIRADENTES
Fazenda do Carmo, Vila Hortência, Prestes Maia, Inácio Monteiro, Vilma Flor, Sítio Paiolzinho, Vila Yolanda, Dom Angélico, Sítio Conceição, Castro Alves, Vila Paulista, Santa Etelvina II B, Jardim Souza Ramos, Jardim Maravilha, Barro Branco, Jd. Pérola, Jd. Vitória, Jd. 3 Poderes, Santa Etelvina I A, Santa Etelvina VII A (Setor G), Santa Etelvina II A, Santa Etelvina III A, Santa Etelvina IV, Morro Disso, Gráficos.

Fonte: http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/subprefeituras/cidade_tiradentes

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